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Em casa esperavam-no o leito preparado e os braçados de flores que dispusera para ela. Atirou-se para cima da cama, cheio de sofrimento. Sofria por fazê-la sofrer. Sofria por fazê-la sofrer, embora a amasse. Sofria por fazê-la sofrer, por ter sido sincera. Sofria por se ter privado carnalmente dela. Sofria por sofrer por estar privado carnalmente dela, quando na verdade ela lhe dava tão pouco prazer carnalmente. Sofria por sofrer somente nas regiões mais grosseiras do macho (a vaidade sexual) e por esse sofrimento de macho ser, todavia, tão pueril. Sofria, enfim, por estar tanto calor no quarto (27 graus). De vez em quando caía uma pétala de uma jarra, como o bater de meia hora. Recordava o odor mais íntimo do corpo da jovem, um odor que o obcecava, que exasperava o seu despeito, que parecia pairar no aposento como as sementes que flutuavam no Verão, entregues à mercê do ar. Por fim lembrou-se de ir buscar à sala um frango frio que sabia lá se encontrar. Comeu-o e o seu sofrimento entorpeceu. Sentiu-se, até, contente por ter sofrido um bocadinho. É necessário conhecer de tudo um pouco.


Once upon a time I was way to young to read this book and take the most out of it. Now is time to re-read it.






Ao findar, os novelos começam a ser desenrolados.






Leituras simultâneas que se cruzam um pouco (em tema), mas só de passagem.

Os dois últimos versos do poema 'Beijo', escripto por Jorge de Sena.

O cantinho cá de casa do José Vilhena ;)

The fascist censorship and José Vilhena (1927/2015) - Satiric cartoonist and editor. On a 1965 document about a Vilhena´s book, addressed to the political police and to the public Police dept. - “The incorrigible and sly Vilhena … deleterious productions that by occult arts always circulate despite the prohibitions … therefor I propose a strict ban.” signed by the official censorship reader.

Depois de o escrever (por emulação involuntária), leio da lettra do próprio mestre. *
*Há que, contudo, dar-se um desconto às pallavras (de Pedro Costals) quando escriptas numa carta para uma mulher — é que ellas são por vezes moldadas ao objecto feminil, sobrepondo-se assim, por vezes, à expressão mais natural das contradiçoens do homem. Todavia, neste caso, estou convicto da sua honestidade (em grande parte), porque ele ama-a verdadeiramente… e, no meu entender, isto é (também): sem armas. Desse seu modo resulta que o protagonista partilha com ella tanto a verdade mais bella quanto a outra que houver menos aprazível; expõe-lhe todas na mesma medida de veracidade (desvelada pela mais íntima cumplicidade) que a mais dulcíssima e desejada. Se lhe acharem desse seu modo uma arma, dir-vos-ei que essa arma é uma flôr!
Tendo o dia 14 de Fevereiro em vista, lembrei-me de procurar este excerto delicioso. Aqui está.



“E’ mentira! A mulher não pode, e não tem direito de se baratear. Não é fadada pelos homens; representa uma lei immutavel do Eterno: não póde invalidar-se.”